A tal crise

A tal crise

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A nossa presidente Dilma tem dito em seus discursos que o Brasil passa por uma crise que está afetando o mundo inteiro. A verdade é que a tal crise chegou no futebol, se é que já não estava aqui.
Nos últimos anos passamos por momentos bons financeiramente. Nossos times estavam segurando suas revelações, contratando craques como Ronaldinho, Seedorf, Robinho e Kaká com salários altos. Eu sempre imaginei que um dia a conta ia chegar, e ela chegou.
Desde o início do ano o que temos visto são verdadeiros desmanches de elencos, contratações modestas e salários atrasados. Fluminense, Cruzeiro e Santos são os principais exemplos de times que perderam grandes jogadores para sanar dívidas, mas não são os únicos. Essa semana estamos vendo o São Paulo falar em liberar Luis Fabiano e Pato para aliviar as contas, e o poderoso Corinthians sem conseguir manter Guerrero e ainda falando em desligar ou diminuir os ganhos de outros como Fabio Santos, Emerson e etc, devido aos altos salários e incapacidade de pagá-los.
Logicamente temos alguns times estão na contramão dessa situação. O Palmeiras contratou muitos atletas, alguns com altos salários e vem se mantendo sem falar em dispensas apesar de não ter alcançado grandes resultados. O Flamengo tem conseguido diminuir suas dívidas com uma política interessante da diretoria, mas dentro de campo se vê um time limitado e uma torcida impaciente.
O grande problema nessa situação é a forma como os negócios são conduzidos. A diretoria quer gastar menos, mas a torcida quer resultados. Para tais resultados, a diretoria faz dívidas que não pode pagar e deixa para próxima gestão, que faz a mesma coisa e assim sucessivamente. As contas nunca fecham, e nunca vão fechar porque sempre estão pedindo empréstimos e esperando conseguir vender jovens revelações para respirar por alguns meses.
Essa loucura financeira claramente iria encontrar um fundo, e achou quando o mundopassa por um momento complicado, nada mais simples. Os times lá de fora já não pagam tanto assim, e também não vendemos em quantidade suficiente para evitar dívidas.

Precisamos urgentemente de um plano verdadeiro de fair play financeiro no Brasil, com uma fiscalização dura, porque depender do bom senso dos cartolas está difícil.
Mais uma janela de transferências se aproxima, acredito que será tímida, mas sempre temos os loucos por resultados que vão contratar quem eles não podem pagar. Que passe rápido, a janela e a crise.
Aquele abraço
Fábio Marques

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