Deus não precisa de agentes secretos

Deus não precisa de agentes secretos

pr_samuelCerta feita, um professor perguntou a seus alunos adolescentes:

— Quem matou o mar Morto?

Diante do silêncio da turma, pois não faziam ideia de quem teria sido e também não queriam se comprometer, depois de uma longa espera, o professor emendou:

— O mar Morto morreu empanturrado.

Diante do sussurro de alívio da classe, o professor acrescentou:

— O mar Morto, na Palestina, ano após ano, sempre recebeu tudo e nunca ofereceu nada em troca; recebia e não compartilhava. A lição que tiramos disso é que, semelhantemente, a pessoa que absorve aquilo que outros lhe oferecem espiritualmente, mas nunca compartilha nada, acabará se tornando sem vida.

Certamente, esta é a razão por que muitos cristãos são apáticos e sem vida, pois estão sempre a receber, como o mar Morto, e nunca têm nada a oferecer aos outros. O escritor aos Hebreus repreendeu seus leitores porque, em vez de serem mestres, já decorrido o tempo em que deviam ter crescido, ainda eram como bebês que se alimentavam com leite espiritual (Hb 5.12). Ou seja, em vez do cuidado de tutores, eles precisavam avançar e cuidar de seus próprios discípulos. Sua mensagem estava de acordo com o ensino de Jesus, que pregava sobre o dever de sermos generosos na prestação de serviço abnegado aos outros (Lc 6.30-38).

Alguns cristãos vivem tão incógnitos que mais parecem “agentes secretos” de Deus (e só Deus sabe onde estão).

O evangelista Billy Sunday, em suas prédicas, costumava contar uma história sobre um cristão que arranjou um emprego numa madeireira noutra cidade, onde os trabalhadores tinham fama de ser ímpios. Um amigo, sabendo que tinha sido contratado, lhe disse:

— Se aqueles lenhadores descobrirem que você é cristão, vão fazer chacota, você estará em sérios apuros.

Um ano depois, o homem decidiu voltar à sua cidade para uma visita, e encontrou-se com o amigo que fizera tal previsão. O amigo lhe perguntou:

— E então, o pessoal o maltratou muito por ser cristão?

— De maneira nenhuma. Não me criaram nenhum problema; eles nem mesmo descobriram!

Essa história foi contada há mais de um século. Mas fico a pensar que, ainda hoje, há cristãos que procedem de modo semelhante. Seus familiares e colegas de trabalho não fazem nem ideia do suposto relacionamento que o mesmo tem com Cristo. A razão é que cristãos disfarçados de “agentes secretos” de Deus nunca fazem nem dizem nada que evidencie sua identificação com o Senhor.

Isso pode parecer um pequeno desvio de rota, mas não deixa de ser extremamente perigoso, pois é contrário ao caráter do cristão. Entendo que ser permissivo nesse quesito da fé cristã é correr o sério risco de desviar-se da rota e, assim, não alcançar o alvo final de se encontrar com o Senhor Jesus.

Convém perguntar: Quantas pessoas seriam afetadas se você ou eu nos afastássemos de Cristo, mesmo que motivado por um pequeno desvio?

Em maio de 1998, uma falha num processador a bordo do satélite de comunicação Galaxy IV fez com que ele saísse de sua posição e se afastasse da Terra. Num instante, centenas de empresas, estações de rádio e de TV foram afetadas, tudo porque um satélite pegou um caminho errado. Devemos considerar se, semelhantemente, algo acontecesse e nos afastássemos de Deus.

Receber e não compartilhar, como o mar Morto, é o mesmo que cortar o fluxo que nos mantém ligados à Fonte primordial. O fato é que não poucos cristãos desconhecem a extensão de sua influência, por isso preferem não se expor; têm medo de serem tachados de paranoicos, caretas, quadrados, antiquados, malucos etc.

Disso tudo fica uma questão: pode um cristão verdadeiro passar incógnito no meio onde vive? Jesus respondeu! Referindo-se aos discípulos, Ele os chamou de sal da terra e luz do mundo. Sal porque serve para salgar, dar sabor, conservar etc. Luz porque serve para iluminar as trevas, revelar, ajudar na segurança etc.

O problema é se o sal vier a perder o sabor, deixar de ser sal. Jesus alerta: “Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens”. E se a luz deixar de ser luz e não brilhar? Jesus pontua: “Não se pode esconder a cidade edificada sobre um monte; nem se acende uma candeia para colocá-la debaixo de uma vasilha, mas no velador, e alumia a todos os que se encontram na casa”.

Para Jesus, o cristão verdadeiro não poderia jamais ser um “agente secreto”, aquele que só Deus sabe onde está. Ao contrário, só tinha esta opção: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mt 5.13-16).

Em suma, não dá para ser seguidor de Cristo e passar incógnito pela vida. O Senhor quer que Seus seguidores vivam para Ele abertamente, dividindo a bênção de ser abençoados, confessando-o diante das outras pessoas, de maneira que não haja absolutamente nenhuma dúvida quanto à sua lealdade.

Não dá para ser cristão e manter isto em segredo. Deus não precisa de agentes secretos.

 

Samuel Câmara

Pastor da Assembleia de Deus em Belém
E-mail: samuelcamara@boasnovas.tv

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