Dois conselhos que podem salvar o Brasil

Dois conselhos que podem salvar o Brasil


pr_samuel

Diz uma máxima popular que se conselho fosse bom ninguém os daria de graça. Mas só os tolos e irresponsáveis afirmam tal despautério. Isto porque há conselhos que são a própria expressão da graça, os quais podem ajudar a solucionar problemas e a salvar vidas; podem ajudar o nosso país sem rumo a encontrar um norte seguro, ajudando-o a alcançar a prosperidade sem deixar de promover a justiça e a paz na sociedade. São conselhos oriundos da experiência de dois líderes mundiais, que nas suas respectivas épocas souberam lidar com os graves problemas e crises pelas quais suas nações passavam.
O primeiro conselho vem da primeira-ministra britânica Margareth Thatcher, oriundo de um discurso proferido na conferência do Partido Conservador, em 1983, que consiste no seguinte:
“Um dos grandes debates do nosso tempo é sobre quando do seu dinheiro deve ser gasto pelo Estado e com quanto você deve ficar para gastar com sua família. Não nos esqueçamos nunca desta verdade fundamental: o Estado não tem outra fonte de recursos além do dinheiro que as pessoas ganham por si próprias. Se o Estado deseja gastar mais, ele só pode fazê-lo tomando emprestado sua poupança ou cobrando mais tributos, e não adianta pensar que alguém irá pagar. Esse ‘alguém’ é você! Não existe essa coisa de dinheiro público, existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos”.
Thatcher concluiu: “A prosperidade não virá por inventarmos mais e mais programas generosos de gastos públicos. Você não enriquece por pedir outro talão de cheques ao banco. E nenhuma nação jamais se tornou próspera por tributar seus cidadãos além de sua capacidade de pagar. Nós temos o dever de garantir que cada centavo que arrecadamos com a tributação seja gasto bem e sabiamente. Proteger a carteira do cidadão, proteger os serviços públicos, essas são nossas duas maiores tarefas, e ambas devem ser conciliadas. Como seria prazeroso, como seria popular dizer: ‘Gaste mais nisso, gaste mais naquilo’. É claro que todos nós temos causas favoritas. Eu, pelo menos, tenho, mas alguém tem que fazer as contas. Toda empresa tem de fazê-lo, toda dona de casa tem de fazê-lo, todo governo deve fazê-lo, e este irá fazê-lo”.
Oxalá o governo petista atente para a sabedoria destas palavras e exercite a boa graça deste conselho, para suplantar toda a desgraça do seu legado.
O segundo conselho vem de Theodore “Teddy” Roosevelt, ex-presidente americano do início do século XX, considerado um dos maiores estadistas da história. Em 1917, quando as tropas americanas se preparavam para o campo de batalha na Europa, na Primeira Guerra Mundial, a Sociedade Bíblica de Nova York pediu a Roosevelt para escrever uma mensagem nos Novos Testamentos de bolso que seriam dados aos soldados. Ele escreveu um esplêndido chamado bíblico para uma vida de equilíbrio, que denominou de Mandato de Miquéias: “Ele mostrou a ti, ó homem, o que é bom; e o que é que o Senhor exige de ti, senão que pratiques a justiça, ames a misericórdia e andes humildemente com o teu Deus?” (Mq 6.8).
Roosevelt exortou os homens a liderarem o mundo “em ambos, palavra e obra” através de uma retidão moral irrepreensível. Em sua breve mensagem para os soldados, ele explicou: “Pratique justiça e, portanto, lute valentemente contra os que defendem o reino de Moloque e Belzebu nesta terra. Ame a misericórdia; trate bem seus inimigos; socorra os aflitos; trate a todas as mulheres como se fossem suas irmãs; cuide das crianças; e seja terno com os velhos e desamparados. Ande humildemente; você será assim, se estudar a vida e o ensino do Salvador, andando em Seus passos”.
Roosevelt concluiu dizendo: “Lembre-se: o maquinário mais perfeito do governo não nos impedirá da destruição como nação, se não houver dentro de nós uma alma. Nenhuma abundância de prosperidade material será de utilidade para nós se nossos sentidos espirituais atrofiarem. Os adversários de nossa própria família seguramente prevalecerão contra nós, a menos que haja em nosso povo a vida interior que encontra sua expressão exterior em uma moralidade que foi pregada pelos videntes e profetas de Deus, quando a grandeza do que foi a Grécia e a glória do que foi Roma ainda estavam no futuro”.
Theodore Roosevelt cria que a principal segurança de homens e nações dependia de uma fiel adesão à demonstração tripla de moral e equilíbrio prático dos veneráveis profetas do Velho Testamento, isto é, um intenso compromisso com a justiça, uma preocupação tangível com a misericórdia e uma humildade reverente diante do Todo Poderoso.
Guardando as devidas proporções, o conselho de Roosevelt poderia muito bem ser utilizado pelos nossos governantes, assim como em nossas relações domésticas, pois vivemos uma não-declarada-guerra-urbana que tem gerado todo tipo de injustiça social, violência, morte, corrupção, criminalidade, descuido com a infância, desrespeito aos idosos, discriminação com as mulheres etc.
Os conselhos de Margareth Thatcher e Theodore Roosevelt são pertinentes e atuais aos líderes e governantes do Brasil, pois o que lhes falta de compromisso com a moral e a justiça, sobra de infidelidade e corrupção; o que lhes falta de preocupação tangível com a misericórdia, sobra de miseráveis e proscritos sociais como massa de manobra; o que lhes falta de humildade em reconhecer as limitações diante dos desafios monstruosos de construir uma sociedade igualitária, sobra de arrogância em acharem que não dependem da ajuda de Deus.
Na contramão do que o Brasil experimenta há mais de uma década, com o aparelhamento do estado e a corrupção desenfreada, seus conselhos nos confrontam com a verdade de que a solução da questão da injustiça social e da pobreza que ela causa, com todas as suas mazelas adjacentes, exige mais que exercícios teóricos e práticas assistencialistas aleatórias.
Ao contrário, eles nos dizem que precisamos entender também que a prática da justiça e dos valores morais ou a falta destes, subjazem a toda essa problemática nacional, sendo esse o diferencial que pode elevar nossa nação aos píncaros da glória que seu hino proclama ou destruí-la e excretá-la pelo ralo da história.

Samuel Câmara

Pastor da Assembleia de Deus em Belém

E-mail: samuelcamara@boasnovas.tv

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