Que faremos com o “nosso” mundo?

Que faremos com o “nosso” mundo?


Um pai dera um globo mapa-múndi ao seu filho pequeno, se esforçando para provê-lo de uma geografia mundial, e a criança muito o apreciou, guardando-o no seu quarto e examinando-o frequentemente para familiarizar-se com os vários nomes de continentes, mares e outras áreas geográficas da terra. Certa noite, achando que seu filho tinha adormecido, o pai quis certificar-se de certa localização para uma futura viagem, e pensou que talvez o globo mapa-múndi que dera ao filho pudesse ajudá-lo. Cuidadosamente entrou no quarto, tomou nas mãos o globo e, justamente quando transpunha a porta, o ruído das dobradiças acordou seu filho, que falou ao pai: “Papai, o que é que o senhor vai fazer com o ‘meu’ mundo?”
Talvez seja esta a pergunta que os filhos de hoje deveriam estar dirigindo aos seus pais; e provavelmente esta mesma pergunta Deus também poderia fazer a cada um de nós. Deixaremos às futuras gerações um mundo melhor ou pior do que o encontramos? O que estamos fazendo com o mundo de nossos filhos? Estamos corrompendo-o ou trabalhando para ajudar a redimi-lo?
Talvez, entre os leitores, alguns estejam tão pessimistas que não conseguem ver nenhuma perspectiva de melhora, a não ser a frustração de ver o “seu” mundo se deteriorar cada dia mais diante dos olhos. Desse modo, tanto para os otimistas como para os pessimistas, cabe a pergunta: Que país deixaremos aos nossos filhos?
Atente, então, para a seguinte narrativa e tente identificar o país a que se refere: “A profunda selvageria de grande parte deste século, que se caracterizou pela cruel tortura de animais no esporte, a bebedeira bestial do populacho, o tráfico desumano de pessoas, o sequestro de compatriotas, a mortalidade infantil, a obsessão pela jogatina, a selvageria do sistema penitenciário e do código penal, a expansão devassadora da imoralidade, a prostituição do teatro, a prevalência cada vez maior da ilegalidade, da superstição e da libertinagem; a corrupção e o suborno na vida pública, a arrogância e a truculência das autoridades civis e eclesiásticas, as reduzidas pretensões da religião, a insinceridade e a depravação desmedidas na Igreja e no Estado. Todas estas manifestações fazem crer que este povo era talvez tão profundamente depravado e corrupto quanto nenhum povo na cristandade.”
Talvez você pense que a realidade acima seja a do Brasil, mas não é, mesmo que a aparência não seja mera coincidência.
Esse exemplo é o da Inglaterra do Século XVIII – descrita no livro England Before and After Wesley (Inglaterra antes e depois de Wesley) – que foi alvo de uma grande mudança pela ação de Deus naquela sociedade. Isso foi o fruto de um reavivamento espiritual pela pregação do autêntico Evangelho de Jesus Cristo, pela ação de Deus através da vida do pregador John Wesley, que iluminou os postulados centrais da ética do Novo Testamento, tornou real a paternidade de Deus e a fraternidade entre as pessoas e encaminhou mentes e corações para a prática do bem e da retidão.
Qualquer pessoa de bom senso pode olhar a atual situação do Brasil e reconhecer que houve uma alternância de significativos avanços e retrocessos políticos, sociais e econômicos nos últimos tempos. Não está a maravilha que a esquerda deseja nos fazer engolir de seus recentes e desastrosos governos, tampouco está tudo perdido como propugnam algumas mentes no extremo oposto. Todavia, devemos tentar ver também que paira sobre nossas cabeças uma cobrança social histórica pesadíssima de que muita coisa ainda está por melhorar, e precisa melhorar muito. Ao chegarmos a esse ponto de sensibilidade esclarecida, cada um de nós tem de responder a essa mesma e incômoda pergunta: Que Brasil deixaremos aos nossos filhos?
Quando vemos a violência galopante, a criminalidade latente e crescente, a banalização da vida, a corrupção, o desrespeito às leis, a opressão, a enganação das autoridades, a perversão dos bons costumes etc., é bem provável que a maioria de nós não tenha nada a ver com isso diretamente. Talvez não poucos se achem profundamente abalados, chocados, desestabilizados e, portanto, descrentes de qualquer possibilidade de mudança e sem nenhuma confiança no próximo.
Isso acontece quando a maldade prospera, pois a Bíblia ensina que o incremento da iniquidade faz com que o amor de muitos se esfrie (Mt 24.12). O que falta de amor, sobra de iniquidade. Só que este estado de coisas não é a última palavra a nosso respeito e nem precisamos ser reféns disto como se fosse uma fatalidade inescapável. Há solução! É possível que um país inteiro seja transformado!
É necessário, pois, primeiro, que nos voltemos para Deus, pois Ele “faz justiça aos oprimidos e dá pão aos que têm fome. O Senhor liberta os encarcerados, abre os olhos aos cegos; o Senhor levanta os abatidos e ama os justos. O Senhor guarda o peregrino, ampara o órfão e a viúva, porém transtorna o caminho dos ímpios” (Salmo 146.7-9).
Devemos orar muito mais do que oramos, mas também trabalhar muito mais também para socorrer as pessoas em suas necessidades, praticando obras de caridade e procurando ministrar aos corações dos indivíduos e de suas famílias. Devemos buscar eliminar as causas das necessidades humanas a partir de atividades políticas e econômicas, clamar por justiça e procurar transformar as estruturas da sociedade.
Porém, não podemos ficar apenas na conversa, planejando e orando, sem nada fazer. Escolhemos como tema da nossa Igreja em Belém este ano: “Assembleia de Deus em Belém, trabalhando e orando por um Brasil melhor”. Sabemos que não basta orar, dobrar os joelhos e cruzar os braços, esperando que Deus faça tudo sozinho. Temos de orar também e depender de Deus em nos guiar e fortalecer para fazer tudo o que precisa ser feito. Igualmente, não basta sair fazendo as coisas do nosso jeito e achar que estamos contribuindo de fato para o bem da nação; temos, antes de tudo, de buscar fazer toda a vontade de Deus para o nosso querido Brasil.
Que o Senhor nos ajude a pensar, orar e fazer um mundo (e especialmente o Brasil) melhor para nossos filhos, sabendo que isto tem a ver comigo e com você, com cada um de nós! AMÉM!

Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém
E-mail: samuelcamara@boasnovas.tv

 
Samuel Câmara
Pastor da Assembleia de Deus em Belém

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E-mail: samuelcamara@boasnovas.tv

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